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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

EXPERIÊNCIA DA PROFESSORA SÔNIA POSSEBON DE SÃO JOSÉ DO RIO PARDO - SP

Experiência da Sônia Possebon - São José do Rio Pardo
Professora pré-escola – contadora de histórias

Durante anos trabalhando como professora na pré-escola acabei desenvolvendo um gosto especial pelas histórias da literatura infantil. Isto me tornou uma “contadora de histórias”.
Ano passado a Secretaria de Educação me convidou para sair da sala de aula e trabalhar como contadora de histórias em todas as escolas da rede pública como um projeto. Eram 24 escolas.
Antes de aceitar o convite conversamos sobre as necessidades de projeto (transporte, figurino, horários especiais, etc). Tudo foi disponibilizado. Passei a viajar em uma Van que me buscava em casa. Eram mais de 2.500 crianças recebendo as histórias. Passava por 7 escolas por dia em sessões que duravam de 10 a 15 minutos.
No começo fui muito fotografada, saí nos jornais muitas vezes, e isto incomodava um pouco mas dava para conviver.
Era um trabalho cansativo pelas viagens, mas muito alegre durante as apresentações, principalmente nas escolas de zona rural, onde eu nem sabia que existiam escolas. Às vezes viajava mais de 1 hora para chegar ao lugar, mas era uma festa. As crianças quando viam a Van passar lá no alto da porteira gritavam “ A contadora de histórias”! Quando chegava perto eles estavam arrumadinhos embaixo de uma árvore esperando. Hora de ir embora a festa era a mesma. Acenavam até a Van desaparecer no morro.
Para mim era tudo de bom e sonhava terminar o projeto contando histórias de Natal (as minhas favoritas inclusive a do presépio).
Mas quando chegou setembro sem mais e sem menos recebi a notícia que o projeto havia sido interrompido.
Junto às responsáveis foi me passado uma única alternativa – “por lei eu poderia retornar para a sala de aula”.
Logo pensei na substituta que assumiu a minha sala. Era uma jovem recém-formada e me senti responsável por ela, já que eu estava na outra extremidade (bem perto da aposentadoria).
Ela estava feliz com esta oportunidade e talvez a interrupção de seu trabalho lhe trouxesse tristes conseqüências pessoais para sua carreira e não seria nada pedagógico e humano para os alunos.
Decidi não aceitar o retorno e disse “não quero voltar, quero que a colega termine o trabalho que começou e nem venha a saber o que aconteceu comigo.”
A única saída foi então cumprir o horário na escola que estou vinculada. No começo foi muito difícil conviver com comentários. Um dia uma professora me viu sentada na sala dos professores e falou “assim é fácil ganhar o salário”. Uma outra colega mais próxima me disse “como você agüenta ficar assim?”, respondi-lhe – “não é isso que sinto. Estou bem. Minha colega está concluindo o trabalho dela.”
Mas dentro de mim nasceu a certeza – “não importa o cargo, a função, não concluir o projeto, o que importa é permanecer no amor no momento presente.”
Um dia sentada no corredor o telefone tocou. Ninguém apareceu para atender. Era a oportunidade que eu tinha para amar. Atendi, chamei o responsável, anotei recados. E assim fui me lançando a ajudar onde fosse preciso. Lavar banheiros, varrer a quadra, encapar cadernos para colegas, enfim...
Quando as colegas perceberam a minha disponibilidade em servir, passaram a pedir coisas e eu atendia com amor. Um amor imediato.
Um dia a colega pediu “você pode fazer um desenho nestas folhas, ou melhor, um painel?”
Respondi – “posso é só você me explicar.” Ela então explicou. Você vai colando estas folhas até ficar do tamanho da parede aí você desenha uma arca.”
Passei horas em cima daqueles papéis e para desenhar precisei deitar sobre eles. Todos acharam a arca linda. Ela foi fundo de cenário para a festa das crianças.
E assim o tempo foi passando. Uma outra professora escreveu uma história com os alunos e me convidou para a festa de encerramento, onde eu apareceria contando a história para seus alunos. Era surpresa para eles ouvirem a própria história pela contadora.
Bem próximo do dia da festa precisei me ausentar para uma cirurgia. Quando a colega soube ficou preocupada, pois o principal da festa não aconteceria. Então lhe disse par não se preocupar, que eu voltaria a tempo.
Faltando meia hora para a festa cheguei à escola. O meu médico autorizou e até se envolveu um pouco com esta questão. Coloquei a roupa do mágico por cima das faixas da cirurgia no seio. Tinha meia hora também para aprender a história.
As crianças ficaram maravilhadas ao perceberem que eu contava a história deles, e a colega não sabia como agradecer. Os pais realizados e alegres.
E assim terminou o ano letivo.
Meu marido então disse – “ agora você volta para sua sala e esquece estas coisas de contar histórias.”
Chegou o dia da atribuição das classes. Eu sendo a mais velha em tempo de serviço fiquei em 1º lugar na classificação e então escolhi a melhor sala, o melhor horário, tudo de melhor.
Mas uma colega ficou muito descontente e chorou, fez escândalo, foi várias vezes na secretaria reclamar e se recusava assumir se não fosse no período desejado.. Esta colega foi aquela que fez a observação – “é fácil ganhar o salário assim sentada.”
A secretária da educação sem saber o que fazer mandou me chamar e colocou a situação. Então imediatamente respondi – “a professora precisa ficar feliz! Onde ela quer ficar. Dê minha sala a ela (era a que correspondia às suas reinvidicações).
“E você? Perguntou a secretária. Respondi – veja o que sobrou eu fico.
Assumi o horário que não queria, a sala mais numerosa e mais difícil da escola.
O tempo foi passando e eu não conseguia esquecer as histórias.
Em consulta de rotina o médico sugeriu. Por que você não grava um DVD? Ele pode chegar em todas as escolas.
Não tive dúvidas procurei saber custos e dividi em 3 cotas para arrumar apoio cultural.
Andei muito e consegui rápido 2 cotas, mas a 3ª não conseguia, até pensei que não era vontade de Deus pra mim. Andava e procurava em todos os lugares sem sucesso.
Um dia passando em frente à Secretaria da Educação me ocorreu um pensamento – “será aqui. Mas logo apaguei esta possibilidade lembrando do que aconteceu com o projeto.”
Quando estava já próxima de casa, retornei o carro e decidi voltar à Secretaria pelo menos para comunicar a idéia. Era a oportunidade de zerar o coração e começar de novo salvando o s nossos relacionamentos. Era isso que importava.
Ao chegar fui muito bem recebida. Expliquei a idéia e a necessidade, e como resposta ouvi - “Se a Secretaria da educação não puder te ajudar eu como secretária farei isso. Você mora no nosso coração.”
Naquele momento o céu veio à terra. Disse a mim mesma – “ Nem precisava gravar mais nada. Está tudo certo.”
Então tudo que pedi foi autorizado. Pedi para gravar com meus alunos e no dia da gravação foi uma festa, pois todos queriam participar com seus alunos. Ficou apertado mas conseguimos. Virou uma platéia,na minha frente, alegre e feliz como eu.
No dia que este trabalho ficou pronto (DVD) fui buscar na hora do almoço. À tarde já havia vendido 10 unidades. Era a resposta do amor de Deus.
Hoje já gravei o nº 2 e as vendas continuam acontecendo e estou me preparando para gravar o de Natal.
O médico recebeu um de presente , em uma outra consulta que fiz, e na mesma hora colocou no computador para assistir.
O meu marido se envolveu com a idéia e hoje trabalha na produção deste material.
E a experiência continua.