Jesus como Educador

FAÇA UMA MUDANÇA VISÍVEL

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Fiquei cego...

Amig@,
Não resisti à tentação de escrever algum pensamento sobre o que meditei hoje, no evangelho do dia, extraído de S.Marcos 8,14-21 e, impulsionado pelo pensamento do dia que diz:"Compreender bem a vontade de Deus do momento presente".

No evangelho encontramos esse texto no qual os discípulos encontravam-se no barco com Jesus, após terem experimentado algo extraordinário, continuavam mergulhados na própria cegueira e distração com efemeridades - representada pelo que haveriam de comer naquele dia - enquanto Jesus tentava lhes admoestar sobre algo muito mais importante, veja só o que aconteceu: "Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco. Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhem: tomem cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.» E eles discorriam entre si: «Não temos pão.» Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais discorrendo que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido? Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.» «E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.» Disse-lhes então:
«Ainda não compreendeis?»
Lendo essa passagem, e deixando-a calar no mais profundo de minha memória, me senti identificado com essa situação me vieram várias perguntas:
  • Quantas vezes Jesus me deu escandalosas demonstrações do seu amor para comigo e eu, cego em minhas picuinhas, não enxergava o quanto estava cercado dos seus cuidados, por todos os lados?
  • Quantas vezes Ele só faltava aparecer à minha frente para que eu sentisse a força de sua mão me soerguendo - após cada vacilada dos meus pés - e eu achava que Ele havia me abandonado?
  • E às vezes que Ele tentava me advertir de algum perigo, "do fermento dos fariseus e de Herodes", e eu lhe fazia perguntas completamente descabidas ou fora de foco, como por exemplo, o que irei comer hoje, enquanto perigos maiores sondavam minha alma?
  • Quantas vezes o seu amor me alcançou através de inúmeros irmãos/ãs, e eu - numa atitude de vitimismo - sentia-me desamparado, só, esquecido, impossibilitado de reconhecê-lo através desses irmãos/ãs?
  • Quantas vezes...? (e...perdi a conta!)
Todavia, hoje, experimentei como que um despertar novo: sou amado!!!
Veio ao meu auxílio um comentário dessa passagem feito por Santo Anselmo (1033-1109), monge, bispo, Doutor da Igreja, que diz: "Ó luz soberana e inacessível! Verdade total e feliz! Quão longe estás de mim, e no entanto eu estou tão perto de Ti! Tu escapas quase que inteiramente à minha vista, enquanto que eu estou inteiramente debaixo da Tua vista. Por todo o lado irradia a plenitude da Tua presença, e eu não consigo ver-Te. É em Ti que ajo e que tenho a minha existência; no entanto, não consigo chegar a Ti. Tu estás em mim, Tu és tudo ao meu redor; no entanto, não consigo alcançar-Te com a vista"
É isso mesmo, Senhor, "não consigo alcançar-te com a vista", fiquei cego. Por isso, humildemente, te peço: vem em socorro de minha cegueira e ajuda-me a "compreender bem a tua vontade do momento presente" de modo que eu possa, ao menos nesse dia, prestar-te honra e enaltecer o teu agir no 'barco' da minha história contigo, e o teu nome santo!..

Diviol Rufino é psicólogo
diviolrufino@gmail.com